A Identidade de Nós Mesmos

Wenders & Yamamoto 2

Ao longo do documentário “Identidade de Nós Mesmos”, Wim Wenders encontrou uma contradição inconciliável no processo criativo do estilista Yohji Yamamoto. Ele percebeu que a produção artística do designer de moda abarca tanto a efemeridade quanto a permanência. Uma vez que o fashionista lida com o imediatismo do mercado sofrego da moda, o seu trabalho imaginativo é fugaz. A sua coleção é passageira na medida em que é escrava da ditadura do instantâneo. Sob o espectro do aqui e agora, ele desenha modelos de roupa que sucumbirão diante do consumismo voraz do mundo ocidental.

Apesar da moda ser refém da prisão do hoje, Wim Wenders acredita que existe solidez na fabricação do estilista. A natureza concreta do labor inventivo do estilista está na reciclagem de trajes antigos. Ao buscar inspiração em vestimentas do passado, ele acaba demonstrando a durabilidade da moda. Ainda que sejam criações originais e singulares, os seus modelos de roupa sempre serão iluminados pela claridade das indumentárias dos antepassados.

Vale destacar também a discussão sobre a capacidade da moda de revelar a nossa identidade. Para o estilista japonês, a moda deveria traduzir a nossa alma. Ao invés de vestimos as roupas, deveríamos ser as próprias roupas. Ou seja, a roupa deveria ser uma extensão da nossa personalidade. Não mais um mero adorno externo, mas um modo de expressar a nossa natureza íntima, isto é, o nosso eu mais profundo.

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